A GRANDE EDUCADORA
E entrando numa casa, não queria que ninguém o
soubesse, mas não pode ocultar-se;
porque logo, certa mulher,
cuja filha estava possessa de um espírito imundo,
ouvindo falar dele, veio e prostrou-se lhe aos pés;
(ora, a mulher era grega, de origem siro-fenícia)
e rogava-lhe que expulsasse de sua filha o demônio.
Mc, 7:24-26
Bersier pergunta: "Porventura pensaria a siro-fenícia idólatra em chegar-se a Cristo, caso não tivesse o coração dilacerado pelo tremendo espetáculo de sua filha possessa? Acaso teria Jairo chamado o Salvador, se não visse em agonia a sua filha?" E conclui com a palavra da experiencia universal: "A maior parte dos discípulos de Jesus aproxima-se Dele porque sofria."
Sim, na manhã ensolarada e azul da vida, ou na época da fartura e a saúde, ou no equilíbrio transitório das vitórias terrestres, quando materialmente tudo lhe vai bem, a alma humana tem fracas e ligeiras ligações com Deus. Ligações mais ou menos em função do velho egoísmo. Isso quando não O desconhece prática e completamente. Quanto a Jesus, ao Seu Evangelho de luz e vida, ao Seu programa de extensão de um Reino Espiritual no mundo, o que se percebe é o mais triste desconhecimento da Pessoa do Divino Mestre e dos grandes ideais que Ele proclamou há dois mil anos.
Mas a dor vem despertar o espírito humano da grande letargia. O sofrimento chega, infalivelmente, ao palácio ou à cabana, à alma do pobre, à vida dos grandes, à velhice cansada, à mocidade que borboleteia nos salões... Chega sempre com a força de um maktub, como a grande educadora da alma.
Ninguém mais perfeitamente Jesus apresentou verdadeira interpretação da dor, ninguém mais que Ele atendeu ao coração aflito do homem, nem melhormente que Ele, ninguém conseguiu mostrar a grande missão do sofrimento, dos porquês, suas gloriosas finalidades.
Daqui, deste pequenino recanto do A Cidade, em singelas páginas dominicais, esperava trazer alguma coisa de Jesus para os que sofrem.
Haja por bem, Ele abençoar este pequenino esforço do servo muito pobre.
> Texto originariamente publicado na imprensa campista e está inserido no livro SAL DA TERRA, de Clóvis Tavares, organizado por Flávio Mussa Tavares | 2005
> Foto: Lauren Cunha | Escola Jesus Cristo
