Há as dores absurdas, incoerentes, inacreditáveis... E há as dores amigas. Chamei a dor Minha amiga.... Convidei-a para entrar.... Fiz pra ela uma cantiga Tirei a dor pra dançar... Coei um café quentinho... Pus a mesa de jantar... Sentei dela bem juntinho Até a dor se alegrar... Eu dei à dor o carinho Que a gente costuma dar A um parente, a um vizinho, A alguém do nosso lar.... Hoje a dor é minha amiga, Já não me causa matar... Não maltrata, não castiga, Não tenta me machucar... Não quer mais me abandonar, Por isso já não consigo A dor, que mora comigo, Sorrir sem também chorar. Porque se a dor não me mata Nem me faz desesperar, Nem me fere, nem maltrata, Nem tenta me asfixiar, Também não me deixa livre, Não se despede de mim, Ficou em mim e hoje vive No meu coração, assim: Não me fere nem me cura, Não me seca nem sacia, Não me atira à noite escura, Não me larga à luz do dia... Chamei a dor: Minha amiga... Eu disse à dor: Pode entrar... Eu dei...
Este é o testemunho do João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para lhes perguntar: "Quem é tu?" Ele confessou e não negou. Sim, confessou que não era o Cristo que muitos pensaram ser, devido o seu tipo de vida: anacoreta do deserto, vivendo uma vida simples, alimentando-se do mel silvestre, desprezando as vaidades do mundo. João era tido como uma criatura excepcional, tão diferente dos outros, que muito pensaram que era o Messias prometido. Mas ele confessou que não era o Cristo. E perguntaram-lhe, pois então: "És tu Elias?" Entre os judeus havia a ideia de Reencarnação que não era propriamente popular, difundida, ensinada, mas era criada, era aceita. -És tu Elias? És Elias encarnado? Só poderia ser reencarnado, pois segundo a tradição judaica, segundo os manuscritos da própria lei de Torah, Elias havia sido Ascenso aos Céus num carro de fogo. Então só poderia ser Elias que voltou do céu ou, na nossa linguagem, El...