Este é o testemunho do João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para lhes perguntar: "Quem é tu?"
Ele confessou e não negou. Sim, confessou que não era o Cristo que muitos pensaram ser, devido o seu tipo de vida: anacoreta do deserto, vivendo uma vida simples, alimentando-se do mel silvestre, desprezando as vaidades do mundo.
João era tido como uma criatura excepcional, tão diferente dos outros, que muito pensaram que era o Messias prometido. Mas ele confessou que não era o Cristo. E perguntaram-lhe, pois então: "És tu Elias?" Entre os judeus havia a ideia de Reencarnação que não era propriamente popular, difundida, ensinada, mas era criada, era aceita.
-És tu Elias? És Elias encarnado?
Só poderia ser reencarnado, pois segundo a tradição judaica, segundo os manuscritos da própria lei de Torah, Elias havia sido Ascenso aos Céus num carro de fogo. Então só poderia ser Elias que voltou do céu ou, na nossa linguagem, Elias reencarnado.
És tu Elias?
Ele não sabia que era e disse não.
"-Não sou"; "És tu o profeta?"
"-Não, não sou profeta".
E ele não sabia que era profeta. Ele não se considerava nada. Disseram, pois:
"Quem és tu?"
Eles queriam saber para dar resposta aos que os enviaram. Eram os judeus espiões. Eram enviados dos sacerdotes da casa de Anás e Caifás, que espionavam tudo, mantinham um Serviço Secreto para saber de todo aquele que falasse em nome de Deus.
Eles sabiam de qualquer que trouxesse uma verdade nova mais brilhante ao povo, para fazer o povo conscientizar-se. Não propriamente ideias políticas libertárias. Não de luta nacionalista contra os romanos. Não de queda de oligarquia eclesiástica de Caifás. Mas, conscientizar-se da Verdade Eterna do Reino de Deus, conscientizar-se de que existe uma vida depois desta vida. Que a vida continua depois da morte física e que há um Reino além da morte, além dos nossos olhos mortais.
Veremos outra luz além do nosso mundo visível, ou outros mundos existem como o Mestre ensinou: Há muitas moradas na casa do Pai.
Isso era o que os pregadores, os rabinos enviados por Deus e entre os quais o profeta João Batista, o maior dos profetas, ensinavam.
João declarou: Sou a voz do que clama no deserto. Corrijam o caminho do Senhor! Sou apenas uma voz! Eu não sou nem gente. Sou apenas uma voz.
Minha tarefa é apenas falar, falar, endireitar os caminhos, chamar o povo para preparar o caminho, para que, quando o Messias chegar, encontrar um caminho e ser ouvido. Ele se considerou apenas uma garganta, apenas um aparelho fonador, apenas uma voz clamando no deserto, no deserto dos homens. No deserto dos homens, no deserto da Judeia, no deserto das consciências, uma voz apenas.
João era absolutamente humilde, e ainda o interrogavam, perguntando por que batizava, uma vez que declarava não ser o Cristo, nem Elias, nem profeta!
João respondeu-lhes que batizava com água, entretanto, entre o povo estava aquele a quem não se conhecia. Aquele que viria após ele, o Precursor, e do qual ele não se considerava digno de desatar as correias das sandálias. E Ele batizará com Fogo e com o Espírito Santo.
> Imagem retirada do site composições católicas - https://www.composicoescatolicas.com.br/alegrai-vos-terceiro-domingo-advento-2024-composicoes/joao-batista-prega-no-deserto/
