Trecho da carta:
...quanto
às perucas que estou usando, posso dizer a você que não tive outro recurso. De
oito anos para cá, a minha calvície se tornou um tormento. Além das partes
feridas (...) a sinusite se fez implacável por mais incessante o tratamento.
Passando por três cirurgias de trato renal em 1968, médicos amigos, observando-me
o problema da cabeça, aconselharam-me a implantação ou o uso permanente de
boina. Legiões de amigos me desaprovaram a cabeça ferida exposta,
asseverando-me que o comparecimento de minha parte, em tais condições nas
reuniões públicas era desrespeito dos grupos de pessoas que nos visitam.
Depois
de alguma relutância, passei a usar boina por dois anos consecutivos. Entretanto,
muitos de nossos confrades, especialmente senhoras, muitas e muitas vezes enquanto
me mantinha sentado, por longo tempo, para autografar livros, retiravam a boina
de minha cabeça para escrever em meu próprio crânio, palavras ou ditos, em
muitas ocasiões até mesmo muito impróprias ou muito infelizes, o que faziam a
giz colorido, sem que eu nada pudesse reclamar, porque, diziam, procediam assim
a título de carinho.
Diante
dessa situação embaraçosa, tentei a implantação, (...) cobri a região implantada
com boina protetora, mas os amigos continuaram a subtrair-me a boina para
ver-me a calva, algo renovada mas ainda ferida, e muitos, porque isso sucedeu
com não poucos, enquanto me achava com a calma possível nos autógrafos, me puxavam
cabelos declarando que assim faziam para conservar alguma lembrança minha.
Reclamar como? Optei pelo uso de peruca e acertei. Os esparadrapos não são
facilmente arrancáveis (...), como faço uso de prótese dentária. E assim, como
me é possível, vou tocando a vida e o meu pequenino trabalho para frente. (Fonte:
As Bênçãos de Chico Xavier).


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