Há as dores absurdas, incoerentes,
inacreditáveis...
E há as dores amigas.
inacreditáveis...
E há as dores amigas.
Chamei a dor Minha amiga....
Convidei-a para entrar....
Fiz pra ela uma cantiga
Tirei a dor pra dançar...
Coei um café quentinho...
Pus a mesa de jantar...
Sentei dela bem juntinho
Até a dor se alegrar...
Eu dei à dor o carinho
Que a gente costuma dar
A um parente, a um vizinho,
A alguém do nosso lar....
Hoje a dor é minha amiga,
Já não me causa matar...
Não maltrata, não castiga,
Não tenta me machucar...
Não quer mais me abandonar,
Por isso já não consigo
A dor, que mora comigo,
Sorrir sem também chorar.
Porque se a dor não me mata
Nem me faz desesperar,
Nem me fere, nem maltrata,
Nem tenta me asfixiar,
Também não me deixa livre,
Não se despede de mim,
Ficou em mim e hoje vive
No meu coração, assim:
Não me fere nem me cura,
Não me seca nem sacia,
Não me atira à noite escura,
Não me larga à luz do dia...
Chamei a dor: Minha amiga...
Eu disse à dor: Pode entrar...
Eu dei à dor minha vida
E pude então descansar...
> Poema: Luís Alberto Mussa Tavares
> Photo: Margarida Tavares
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