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Na grande transição | Mensagem de Emmanuel durante a 2ª Guerra

Multiplicam-se conferências e 
examinam-se acordos que garantam 
a concórdia na belicosa família planetária.

Sangrando embora, não encontra o continente europeu suficiente recurso para adaptar-se aos impositivos da paz e, guardando ainda a hegemonia na técnica industrial do mundo, imprime graves perturbações ao ritmo político da comunidade internacional; não obstante o dilúvio de sangue que lhe cobriu o solo generoso, não é segredo o tremendo sacrifício dos orçamentos, em favor dos programas rearmamentistas. Existem ali multidões ameaçadas pelo inverno, faltam reservas no balanço econômico, invoca-se o socorro de países bem aquinhoados pela natureza; no entanto, os generais desenrolam mapas minuciosos e extensos, sob as vistas de administradores, preocupados na ofensiva e na defensiva. Clarins de convocação aprestam-se à chamada de jovens subalimentados, que mal procedem de uma infância vazia de ideais reconstrutivos.
Lutava-se antigamente pela extensão de poder, nos desregramentos do feudalismo dominador, atritava-se, ainda ontem, pelo acesso às matérias primas a fim de que a força se sobrepusesse ao direito, no caminho dos séculos, e abeiramo-nos, agora, de conflitos ideológicos gigantescos, em que a civilização do Ocidente sofre indescritível ameaça aos seus mais preciosos patrimônios.

É o ataque sutil das forças das trevas, mascaradas de liberdade que mais equivale a desvario.
Embalde se alinham propostas de desarmamento, porquanto, segundo já enunciou eminente pensador, “não foram as armas que criaram os homens e, sim, os homens que criaram as armas”. Um espírito envenenado pelo ódio, sem fuzil que lhe obedeça as determinações, ferirá com os próprios braços e, se estes lhe faltam, desferirá execráveis vibrações, dilacerantes e esmagadoras, como aguçados estiletes de morte.

Infrutíferas todas as medidas restauradoras do mundo que não atinjam a personalidade humana, necessitada de dignificação. A sociedade, constituída pelo organismo doméstico, pelo agrupamento, pelo partido ou pela nacionalidade, representa uma coleção de indivíduos e, por isso mesmo, sem a melhoria do homem, regendo os processos de trabalho, na intimidade do lar e do povo, é inútil a sistematização de reformas exteriores, impostas por revoluções e guerras destrutivas.

Advoga-se a “igualdade das oportunidades”, como fórmula ideal de socialismo cristão para as democracias; entretanto, partindo a premissa de pensadores evangélicos, urge compreender que essa igualdade de recursos já foi estabelecida pelo Governo divino do Planeta. Admitido à experiência terrestre, o homem é bafejado por mil ensejos diferentes de aprender, evolver, iluminar-se e engrandecer-se. Tão grande “talento” é dor que aprimora quanto o dinheiro que favorece. E a criatura que se revolta no sofrimento edificante, convertendo bênçãos em crimes, é tão perniciosa à obra do Senhor como aquela que se vale das facilidades econômicas para estender o domínio das trevas.

Eis porque o problema da harmonia espiritual nunca será resolvido por ordenações exteriores.
O homem cristianizado é a coluna viva da democracia futura em que o reinado da Ordem, na estrutura do Estado, não colidirá com o reino de Deus, em construção na individualidade humana.
Não bastam leis benignas. Requisitam-se caracteres elevados que as respeitem e cumpram.
Não valem somente princípios enobrecedores. São necessários corações valorosos que aceitem as condições imprescindíveis à santificação.
A simples denúncia da guerra não atende. É imperioso suprimi-la da esfera de nós mesmos, ambientando o amor e a paz, na própria vida.

À face da superfície brilhante do oceano teórico, povoado de demonstrações negativas, Espíritos satânicos, encarnados e desencarnados, prosseguirão assoprando o mal nos círculos da evolução terrena, derribando, conspurcando, destruindo…
Enquanto não se capacitar o homem da grandeza da herança que o universo lhe reserva à condição de filho de Deus, é impossível a sublimação da humanidade.

Tanto se guerreava no tempo de Sargão I, no apogeu da foice, quanto se luta presentemente no fastígio da eletricidade.
No fundo, é a rebeldia da personalidade ajustada à indiferença pelos próprios destinos, quando não vinculada ao narcótico do vício, erigido em condutor do homem e das massas.
A sabedoria do Eterno, porém, transforma os males da criatura em amarga medicação para elas mesmas. De experiência em experiência, a Europa, crucificada na defecção dos próprios filhos, que conferiram um trono externo ao Cristo, imaginando-o cercado de representações políticas, mas exilado dos corações em que deveria viver e reinar, acerca-se, hoje, de cataclismos inomináveis…

Das angústias coletivas, entretanto, surgirão claridades renovadoras.
Exorando as bênçãos do Altíssimo para que nossos males sejam atenuados com a remoção das nuvens que se adensam sobre os povos mais poderosos da Terra, suplicamos a Jesus fortaleça a gloriosa esperança do Novo Mundo.
— Grande América! Herdeira da Europa, dadivosa e flagelada, não permitas que a chuva de sangue e lágrimas desabe em vão sobre as tuas sementeiras de cristianismo!
Recebe as responsabilidades da civilização, de alma voltada para Aquele que é o Fundamento dos Séculos…

Consagra o direito, aceitando o dever do bem, cristianiza os teus programas de governo a fim de que o sofrimento e a expiação não te imponham renovações dolorosas!
Se a força tiraniza o serviço libertador do Evangelho ou escarnece da razão para perverter a inteligência, não vejas em semelhante perturbação senão o eclipse efêmero da sombra humana procurando debalde toldar a luz divina!…

E quando as nuvens de aflição houverem passado, quando as tormentas lavarem os céus, possas tu ouvir nos recessos do espírito a divina palavra:
Bem-aventurados os pacificadores porque serão chamados filhos de Deus! 
Ser-te-á possível então responder, de consciência erguida para o alto:
— Bendito seja o Príncipe das Nações!

Livro: O Evangelho por Emmanuel, Vol. 1| Comentários ao Evangelho segundo Mateus | Mensagem 46: Na grande transição | Psicografado por Chico Xavier |  Editora: FEB

Photo: Margarida Tavares

Nota da equipe organizadora: Este comentário foi escrito durante a Segunda Guerra Mundial e nos trás uma notável reflexão sobre aquele grave momento da história da humanidade. Quando muitos cediam ao desespero e ao pessimismo, Emmanuel estabelece um vínculo entre aquelas circunstâncias e o Evangelho, demonstrando que em todas as épocas poderemos encontrar consolo e esperança nas palavras de Jesus; e que os desígnios de Deus, apontando sempre para o bem, o progresso e a paz, podem ser turvados momentaneamente pelas sombras passageiras, mas estas jamais serão capazes de obstá-los de maneira definitiva.





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