O Pai Compassivo - trecho da pregação de Clóvis Tavares sobre a Parábola do Filho Pródigo
Poucos dias depois, o filho mais moço, o filho pródigo ajuntando tudo o que era seu, partiu para um país distante, país hebreu, e lá dissipou todos os seus bens, vivendo dissolutamente,
Como esta parábola é atual!
Como a palavra de Cristo é realmente eterna, intemporal!
Ela é para todos os tempos, para todas as nações! Universal e intemporal! Ela fala a todas as almas, de todas as latitudes, de todas as épocas, porque como diz uma das 'Grandes Mensagens', de Pietro Ubaldi: "A alma humana é sempre a mesma, em todos os tempos, em todas as latitudes. "
(Neste momento, há a troca de lados da fita cassete e se perde o comentário de Papai sobre o tempo em que o Filho Pródigo viveu no país distante. Em pálidas palavras, de acordo com o que minha memória pode reter, reescrevo esse pequeno texto. F.M.T.)
E nesse país viveu a sua experiência de jovem afoito por prazer. E deixou-se enganar pelos aproveitadores. E esbanjou irresponsavelmente a herança paterna, os dons recebidos, os favores de seu Pai. E todos lhe pareciam amigos, pois compartilhavam dos momentos de extremado prazer, dos momentos de catarse dos sentidos, dos momentos de extravasamento dos instintos.
Todavia, o imponderável, ou seja, o que não é previsível pelo homem, aquilo que nós nunca acreditamos que vai acontecer quando temos dinheiro e poder, aconteceu. O período das "vacas magras", o ciclo do capital, a recessão econômica que existe em todos os tempos após a euforia da abastança começou nesse país. E os amigos sumiram. E as mulheres não o conheciam mais, nem os estalajadeiros lhe ofereciam quartos suntuosos e nem os comerciantes lhe cortejaram e nem os banqueiros lhe socorreram ...
Entretanto, ele era um homem do campo, sabia trabalhar e foi em busca de emprego. A recessão assolava o país. Não havia emprego no campo. Apenas um criador de porcos lhe aceitou na sua chácara. Aceitou para morar no chiqueiro, junto com os porcos, para disputar a lavagem com eles, para dormir no mesmo charco em que eles se chafurdavam. Para inalar o odor fétido e sentir a podridão ao ingerir restos deteriorados de comida misturados às vagens de alfarrobas. E nem isso lhe era oferecido. E ele chegou a desejar as vagens indigestas e de sabor insuportável, pois ainda assim, misturadas à podridão dos restos fermentados e repugnantes, eram preferíveis ao horror da fome. A fome é um estado biológico que transforma o psiquismo humano. Passar fome é torturante. (texto de Flávio Mussa Tavares para compor o trecho em que houve troca da fita cassete)
Então foi encostar-se em um dos cidadãos daquele país estrangeiro e este o mandou para os seus campos guardar porcos.
Era a máxima ofensa que alguém poderia fazer a um judeu naquele tempo: guardar porcos. Porque, pela lei mosaica, o porco era um animal chamado imundo, ritualmente imundo. Era um preceito de higiene, de medicina preventiva, a que o legislador hebreu deu uma característica divina para evitar a expansão da lepra que o porco trazia. Hanseníase e outras doenças. Guardar porcos, comer carne de porco, era coisa que nenhum judeu fazia. Pastorear porcos, ele, um judeu, que poderia ser um criador de ovelhas ou um lavrador. Era a máxima das abjeções! Era a maior degradação que podia ser feita a um filho de Israel. Mas, não chegou apenas a guardar porcos, a ser um pastor de porcos, queria comer das alfarrobas, uma leguminosa que só serve para alimentar animais e prejudica a saúde do homem, pois nele produz fortes dores de estômago. Mas mesmo assim, tamanha era a fome, a miséria e a seca que grassava naquele país distante que ele nem conseguia comer as alfarrobas, os frutos da alfarrobeira.
Os donos dos porcos não davam porque a seca e a fome era grande naquele país. Então ele começou a pensar a que estado de degradação havia chegado.
Livro: O Pai Compassivo | Clóvis Tavares
Organização e notas de Flávio Tavares
Imagem da internet

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