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Mostrando postagens de fevereiro, 2026

A dor amiga | Poema de Luís Alberto Mussa Tavares

  Há as dores absurdas, incoerentes, inacreditáveis... E há as dores amigas. Chamei a dor Minha amiga.... Convidei-a para entrar.... Fiz pra ela uma cantiga Tirei a dor pra dançar... Coei um café quentinho... Pus a mesa de jantar... Sentei dela bem juntinho Até a dor se alegrar... Eu dei à dor o carinho Que a gente costuma dar A um parente, a um vizinho, A alguém do nosso lar.... Hoje a dor é minha amiga, Já não me causa matar... Não maltrata, não castiga, Não tenta me machucar... Não quer mais me abandonar, Por isso já não consigo A dor, que mora comigo, Sorrir sem também chorar. Porque se a dor não me mata Nem me faz desesperar, Nem me fere, nem maltrata, Nem tenta me asfixiar, Também não me deixa livre, Não se despede de mim, Ficou em mim e hoje vive No meu coração, assim: Não me fere nem me cura, Não me seca nem sacia, Não me atira à noite escura, Não me larga à luz do dia... Chamei a dor: Minha amiga... Eu disse à dor: Pode entrar... Eu dei...